Só pra situar um pouquinho: a nossa corrida começaria no dia 05 de fevereiro num lugar pertinho de Bariloche. No dia 04, estávamos em San Martin de Los Andes. Saímos de lá às 4 horas da manhã em direção a Bariloche para podermos pegar as coisas da corrida. Estavam no carro do Roslank: eu, o Roslank, a Danuse e o Japa.
Depois, ao meio dia, iam sair as gurias: Robertinha, Telda e Lúcia.
Às 4 da manhã, quando acordamos, estava frio pra cacete! Passamos no relógio que marcava temperatura e estava 7 ou 8 graus, não lembro. Mas rimos e dissemos: nos ferramos, vamos congelar, heheh.
O carro estava atolado de coisas, cheio de mochilas, mal dava pra se mexer dentro dele.
Pegamos a estrada em direção a Bariloche (aprox. 90 km), era hiperescuro e um asfalto legal. Logo que entramos na estrada avistamos um coelho correndo ao lado do carro. Bahh, depois mais um e assim foi até que, daqui a pouco, não vimos mais um, vimos menos um. Isso mesmo, o Roslank tinha acabado de atropelar um. Mais pareciam Papa-Léguas ao invés de coelhos de tão rápidos que eram. Logo depois, passou uma coruja bem pertinho do vidro do carro, carregando não sei o quê. Como não vimos o que era direito, o Japa começou com as loucuras dele e disse: "só falta agora aparecer um vampiro", heeh.
Continuamos na estrada. Virou estrada de chão e fui dirigir. Tinha que ser bem devagar, pois era buraco pra caramba! Foi amanhecendo e acabamos chegando num posto para tomar um café da manhã.
Mais uma do Japa. Essa cena foi hilária! Todos estávamos apreensivos com a prova, e eu perguntei: “Japa, que cara é essa?” “Bahh, estou apavorado!” (Putz, foi uma risadeira total, eu e a Danuse quase rolamos de rir), acho que era rir de nervosismo também, hehe. Depois ainda teve o Roslank dando um pastelzinho na boca do Japa: “Japinha, come esse pastelzinho, vai te fazer bem, heheh” (outro momento risada, heheh).
Ahh, claro que antes de seguirmos caminho, o Japa foi visitar mais um dos muitos banheiros que conheceu na viagem. Isso que só comeu milanesa, hein?
Tentamos ligar para o hotel onde estava a Adri e o Duda e não conseguimos. Seguimos caminho, chegamos a Bariloche, fomos ao hotel, acordamos o Duda (9 horas da manhã), e fomos nós 4 (eu, Roslank, Japa sinistro e Danuse) para o Cerro Catedral retirar o kit da prova.
O Duda e a Adri iriam de táxi depois, estávamos em 4 e não teria lugar no carro. Cerro catedral era a uns 10 km do nosso hotel.
Retiramos os kits,
Voltando aos kits,
Saímos dali e fomos pegar os containeres que já tínhamos reservado, e que o Roslank já tinha visto que estava tudo certo com eles.
Logo depois, o Duda e a Adri chegaram e também foram colocando as coisas no container deles, fechamos os containeres, ficamos brincando de carrinho e fomos embora.
Nesse dia estava friozinho, mas um tempo legal - sol - tava bem bom.
Acho que o Japa não estava mais apavorado, só tava cansado, como sempre.
As gurias chegaram à tarde, almoçamos e fomos olhar as lojas, entramos num monte e ali eu vi que iria chover, pois o Japa insistiu tanto em comprar um capa de chuva que só podia chover mesmo na corrida. Sem mentiras, ele deve ter experimentado umas 30 capas em todas as lojas, que acabou chamando a chuva na prova mesmo.
A noite chegou, nos preparamos e fomos deitar. Teríamos que sair para a prova no outro dia às 7 horas da manhã.
Bom, agora seria a hora. Reunimos-nos na frente do hotel
A largada era mais ou menos no meio do mato. Deixamos o carro na beira da estrada e fomos caminhando ate chegar à largada. As gurias foram conosco.
Quando descemos do carro, estávamos de calça. Mas vimos muita gente de calção e decidimos também ir de calção de corrida, mas de manga comprida.
Depois de estarmos prontos, demos tchau pras gurias e seguimos pra largar (só iríamos vê-las novamente no domingo, e isso era sexta-feira).
Largamos os 6 juntos, dando risada e curtindo,
Com essa subida, e com sol, eu já estava com calor. Eu e a Adri já tínhamos perdido todo mundo, dos nossos, de vista (durante a prova tem sempre alguém na tua frente ou atrás de ti), e comecei a tirar a camisa. O legal é que aprendemos a tirar a mochila das costas, tirar um braço da camisa, colocar a mochila num lado, tirar o outro braço, segurar a blusa com a boca, abrir a mochila, colocar ela dentro, vestir outra, colocar a mochila e continuar a corrida. Isso tudo se faz sem parar de correr ou caminhar, alta habilidade!
Chegamos numa estradinha e avistamos o Japa e o Roslank. Corremos um pouco juntos e a Adri precisou colocar esparadrapo nos pés. Perdemos eles e continuamos a corrida. Numa das subidas (tiveram várias), estávamos correndo e não ultrapassamos ninguém e os caras caminhando. Até que eu disse pra Adri: “vamos caminhar, estamos correndo e não passamos ninguém, tem coisa errada”. A partir daí decidi: não corro mais em subidas.
A corrida foi indo, na verdade muita caminhada eu ia um pouco mais rápido que a Adri e ela me seguindo, eu na frente gritando: “VEM ADRI!” E ela, às vezes, respondia; às vezes eu não ouvia. De vez em quando eu parava, esperava a Adri e seguia em frente. Numa dessas, passamos o Japa e nem vimos, daqui a pouco chega uma ponte e a prova pára. Teríamos que atravessar uma ponte pênsil (alta pra caramba!), e só passavam de 2 em 2. Por isso a prova trancava.
Andamos muito e chegamos a outra parada, mais 30 minutos, essa era pra atravessar o desgraçado do lago de lancha. As paradas eram boas e ruins, boas pq descansávamos e ruins pq ficávamos com frio. Tinha sol, mas tava bem frio.
Ahh, imaginem se não passamos o sortudinho (Japa) na corrida e se na lancha ele não furou a fila de novo? Isso mesmo! E lá foi ele, de mãozinha dada com o Roslank, na lancha. E dava risadas ainda o desgraçado!
Esperei a Adri chegar, cruzei a ponte com ela e chegamos.
Esse dia deu 6 h e 43 de loucura, e foi só o primeiro. Eram mais ou menos 3 da tarde.
O Roslank tinha chegado um pouco antes e o Duda e a Danuse bem antes.
Quando chegamos ao acampamento, bahh, o Duda e a Danuse já tinham pegado os containeres, e montado duas barracas. Coloquei as minhas coisas e decidi que iria ficar na barraca da Danuse, afinal as minhas coisas estavam no container dela.
Ficamos conversando e fomos comer.
De tarde, depois que já tínhamos almoçado, fomos passear pelo acampamento e descobrimos lugares muito bonitos. Tinha um campo de golfe, que depois soubemos que não podia nem pisar, como podem ver na foto, hehe.
Nem preciso dizer que caímos na gargalhada, né?
Mais tarde ainda decidimos entrar num laguinho pra tentar remover um pouco do ácido lático que ficara na musculatura. Putz, muito frio! Aí eu disse: no mínimo 10 minutos e entrei só de sunga e camiseta. Os outros nossos foram de casaco e calção. Tenho que dizer uma coisa: só fiquei ali de sunga de teimoso mesmo, tava frio demais!
Depois jantamos, demos mais algumas risadas, e fomos dormir. Acho que o Japa não estava mais apavorado.
Ahh, na corrida caímos vários tombos e nos sujávamos várias vezes, passamos por vários riozinhos e íamos nos limpando durante a corrida.
Amanhã eu continuo com o segundo dia da loucura boa .